Matou uma joaninha e foi dormir.

fevereiro 8, 2010

Inferno.

Arquivado em: Misantropia — Kinna @ 8:37 pm

Santos.  Universidade federal de são paulo. Volta às aulas. Ponta da praia. Quarenta graus.  Ar-condicionado quebrado na sala de aula. Sem ventiladores. Professores falando sobre o DSM enquanto suam. Eu suando. Eu entediada olhando os coleguinhas. Coleguinhas se abraçando. Coleguinhas fazendo escândalo qundo vêem outros coleguinhas “para matar a saudade”. Coleguinhas com seus gritinhos, pulinhos e papinhos. Coleguinhas. Mal chego na universidade já sinto o clima adverso. Ânsia. O calor. As condições sub-humanas. Os professores em suas egotrips. E ainda tem gente que fica batendo no peito para dizer que é federal. Porra, a universidade não respeita nem os direitos mais básicos de um ser humano (não é piada, total violação dos Direitos Humanos ter aula numa sala fechada sem ventilador).

Eu não deveria ter insistido com essa tal de Unifesp. Há melhores universidades em cidades menos santistas. Num dia como hoje, essa música revoltada do Frejat fala por mim:

Vivendo em tempo fechado
Correndo atrás de abrigo
Exposto a tanto ataque
Você ta perdido

Nem parece o mesmo
Tá ficando pirado
Onde você encosta dá curto
Você passa, o mundo desaba

E pra te danar
Nada mais dá certo
E pra piorar
Os falsos amigos chegam
E pra te arrasar
Quem te governa não presta

Declare Guerra- Barão Vermelho

fevereiro 4, 2010

Saló ou os 120 dias de Sodoma

Arquivado em: Citação/Arte — Kinna @ 10:46 pm

Um dia desses, zapeando pelos canais da tv a cabo, acabei parando no Telecine Cult porque iria começar um filme do diretor italiano Pasolini chamado Saló ou os 120 dias de Sodoma. O título me chamou a atenção e o fato de ser de um diretor famoso por criar polêmicas me fez começar a assistir. E na verdade, o filme é tão escatológico, absurdo, grotesco que eu não sei nem como continuar esse post. O filme é baseado nos contos do marquês de Sade, onde quatro homens poderosos e fascistas sequestram um grupo de jovens mulheres e homens virgens e os levam para um casarão. Uma vez prisioneiros, eles serão submetidos às mais diversas perversões, humilhações e até mesmo torturas, sempre envolvendo muito sexo. Eu não vi sentido no filme, embora tenha percebido o viés sutilmente político (uma crítica ao fascismo, claro, numa democracia onde todos são vistos como iguais, os cidadãos não conseguiriam submeter seus semelhantes a tais atrocidades. Será mesmo?). O fato é que o filme é todo exagerado demais, sendo que sentir náuseas e ânsia de vômito é bem comum para quem o assiste, principalmente na segunda parte. As cenas em que os personagens são obrigados a comer dejetos é impossível de ser assistida sem tirar os olhos da tela. O filme realmente me causou muito nojo e desconforto. E olha que não sou de me chocar fácil. Diante disso, concordo com a crítica que afirma que há outras formas de fazer crítica ao fascismo e à natureza  humana. Não recomendo o filme, a não ser que você tenha muita vontade de desafiar seu estômago e sua paciência com a película.

O mais foda é que durante o filme todo, eu não conseguia parar de pensar além de ter sido feito por um italiano, o filme foi muito aclamado na Itália. Eu que já tenho reservas com italianos (não com seus descendentes) agora tenho um filme inteiro para reforçar meus argumentos. Sim, porque dá para saber muito sobre um país e seu povo através de seus filmes de sucesso. Eu nunca gostei de filmes italianos, nem mesmo os do Fellini, mas esse do Pasolini é extremamente emblemático de como eu me sinto quando me deparo com os disparates italianos vendidos como obra de arte.

fevereiro 3, 2010

São Tomé das Letras, a missão.

Arquivado em: Coraçãoburrodaporra, Vômito — Kinna @ 2:22 pm

Eu preciso falar da viagem para São Tomé das Letras. Mas eu não quero falar. Eu não consigo. Então eu vomito. Viagem altamente planejada. Li tudo a respeito. Muitas expectativas. Cidade mística. Ripongas andando pelas ruas. Cachoeiras. Montanhas. Cavernas. E então, você. Me ferindo a cada folha seca pisada nas trilhas. Será que é a culpa da minha visão distorcida dos fatos? O fato é que sou uma grande pessimista, tenho como máxima a frase: Hoping for the best but expecting the worse que o grupo Alphaville eternizou. E a minha experiência tornou essa frase uma verdade universal. Estou sempre esperando pelo pior.  E de tanto esperar, vejo o pior se desenhando na minha frente. Então tenho o impulso de desistir. Preciso me proteger. Durante a viagem, não te reconheci. Senti vontade de ir embora desde o primeiro dia. Você adora interagir com estranhos. Eu não. Sou reservada. Ainda mais quando estou acompanhada. Me sinto outsider mais uma vez. Tento conversar a respeito e você não tem nada a dizer. Seu silêncio me afoga. Você nunca tem nada a dizer. Ao menos para mim. Senti que uma conversa com estranhos fluía melhor do que uma conversa comigo. Ofensivo. Senti que os estranhos representavam algo para você. Uma interação maior com a cidade ou um descanso de mim? Todos entorpecidos, menos eu.  Não gosto de quem eu sou quando estou com você. Isso é grave. Me sinto ultrapassada, fora de moda. Eu que nunca me preocupei com moda e sempre fui muito década de oitenta. A intensidade é piegas. E eu não consigo ser minimamente moderna quando estou apaixonada. Fico pior do que protagonista de filme natalino infantil. Tento te entender antes de arrumar as malas para ir embora. Não te entendo e não vou embora. Você dorme horas antes de mim e eu fico ao seu lado bebendo vinho e comendo queijo. A única cois que me resta quando estou triste é a sofisticação. Ou pseudo-sofisticação de um vinho mineiro barato e um queijo minas. Não consigo sair do seu lado mesmo que você esteja inconsciente. Sinto como se estivesse velando um cadáver. Um velório sem convidados.  Algo me prende ali. Penso que deveria dar uma volta pela cidade, entrar num bar e pedir uma bebida local. De repente até seguir seu exemplo e conversar com alguns locais. Mas não consigo ter disposição para sair sozinha. Não tenho paciência de lidar com homens que se aproximam só por verem uma mulher sozinha.(E mesmo numa cidade alternativa como São Tomé existe esse tipo de coisa. Aliás, ao contrário do que se pensa, a cidade não é uma bolha fechada, um mundo paralelo. O machismo impera lá como em qualquer outro lugar.) Acho estranho o preconceito que existe contra os desacompanhados. Eu acho lindo ver uma pessoa sozinha num ambiente em que todos estão em grupos. Acho logo que deve ser a pessoa mais interessante do local. Mas eu mesma não consigo ser assim. Não suporto o peso de estar sozinha num ambiente cheio. Me sinto tensa, não consigo nem ler um livro,  porque sei que é questão de tempo para ser interrompida por algum sem noção com frases feitas e um papo da profunidade de um pires. Então é isso.  Pessoas interessantes nunca se aproximam de pessoas sozinhas, porque costumam respeitar o espaço alheio. A não ser que a pessoa sozinha tenha olhado ou dado algum tipo de abertura. Bom, o fato é que eu tenho cada vez menos disposição para me expor. Me preservo de todos os jeitos. Menos de você. Justo você que era a pessoa sozinha em questão no lugar onde nos conhecemos. Percebo que preciso te mudar. E sinto que também preciso mudar. Moldo as pessoas à minha semelhança e isso não está certo. Preciso mudar o fato de mudar as pessoas.

Vou pegar minha “modernice” dentro do armário e já volto.

janeiro 29, 2010

Diálogos com a Bel.

Arquivado em: Meu umbigo e nada mais — Kinna @ 10:36 pm

-Você já atualizou o blog?

-Não. (Isso foi um jeito sutil de falar pra eu ler as atualizações do seu blog?)

-Não, foi um jeito grosseiro de falar ‘atualiza logo essa porra’.

Influência freudiana em Cazuza.

Arquivado em: Citação/Arte — Kinna @ 10:22 pm

Quando eu tinha uns 13 anos, adorava uma música chamada “Só as mães são felizes” do Cazuza. É uma das músicas menos conhecidas de seu cd mais conhecido “O tempo não pára”. E tem uma parte final extremamente chocante. Eu adorava essa parte. Cantava baixinho, para não levar bronca da progenitora.  Ah, o moralismo da década de 90. Eu achava a letra absurda na época, mas me divertia, porque todos que eu conhecia gostavam de pular para a próxima música. Então eu era vanguarda, porque conseguia ouvir aquela parte o suficiente para decorá-la e cantar no banho. Hoje ouvi novamente a música e a parte polêmica. E entendi que Cazuza era um freudiano ortodoxo. Ou talvez ele só quisesse chocar seus fãs com um parco conhecimento de psicanálise. Mesmo assim, vale a letra.

Você nunca sonhou ser currada por animais
Nem transou com cadáveres
Nunca traiu o teu melhor amigo
Nem quis comer a sua mãe
(Ba, ba, ba, não quis comer a tua mãezinha? Lá no quartinho, escondidinho do papai que está morto numa cama com uma faca entre os dentes)

janeiro 20, 2010

Santos.

Arquivado em: Vasto mundo — Kinna @ 1:14 pm

Eu não tenho vontade de sair de casa quando estou aqui. A vida lá fora é tão aversiva, tudo tão cheio de gente, a praia suja, o humor santista. Quantas vezes preciso me arrepender?

janeiro 19, 2010

21/01

Arquivado em: Meu umbigo e nada mais, Misantropia — Kinna @ 6:10 pm

O dia 21 de janeiro só serve para eu constatar o óbvio todos os anos.

Por isso que esse ano, o melhor presente que eu poderia receber seria um salto temporal:  depois da meia-noite do dia 20 ir direto para o dia 22.

Mais uma vez.

Arquivado em: Meu umbigo e nada mais — Kinna @ 6:04 pm

Não faz sentido nenhum escrever aqui. Sinto que minhas vísceras ficam expostas e  pessoas erradas lêem. Sociedade do espetáculo. Vida na vitrine quebrada. Ao menos do orkut eu me livrei há alguns anos. E ainda sinto meu estômago embrulhar quando resolvo entrar e ler alguns perfis. Tanto tempo perdido. Quanto mais a vida de alguém é exposta, mais eu tenho certeza da falta de vida. Depois de manter blog por 4 anos consecutivos, apaguei. Refiz. Apaguei. Refiz. É tudo uma grande repetição, porra. E agora estou em crise existencial novamente, só que dessa vez não penso mais em apagar. Eu não me importo o suficiente para apagar.

O blog é como cigarro.

janeiro 11, 2010

Defendendo causas alheias.

Arquivado em: Teorias nada-fundamentadas — Kinna @ 10:38 pm

Numa discussão, defender as causas de minorias nas quais não estou incluída é absurdamente mais fácil. Burocraticamente falando, levantar bandeiras que me beneficiem diretamente tira a credibilidade da minha argumentação. Deve ser por isso que minha opinião é bem mais respeitada quando defendo o movimento negro do que quando defendo o movimento feminista.

A grande ironia: precisa nascer homem para adquirir o poder de defender o movimento feminista sem ser olhado com maus olhos.

Não é coração, é puro estômago.

Arquivado em: Coraçãoburrodaporra — Kinna @ 2:19 pm

Eu não quero me sentir assim. É uma questão de estômago, entende? Quem não tem ciúmes, é porque tem estômago forte. Não é o meu caso. Pura fisiologia, é quando a porra do MTS* finalmente faz sentido com alguns anos de atraso. Começo a sentir o mal-estar, passo mal, saio da mesa à francesa para vomitar escondida no banheiro. Enquanto ele fala, um monólogo sem fim. Fala sobre tudo: a viagem para o Peru, a adolescência em Minas e arruma uma deixa pra falar o quanto ele é bonito, o quanto a beleza dele incomodava os outros meninos. Nessas horas, sinto uma imensa vontade de rir. Um pensamento preconceituoso toma conta de mim. Bonito?Ele não tem nem altura de homem!  Fico entorpecida, será que é a cerveja ou o fato de perceber que todos (incluindo e, principalmente, os homens) estão com frisson  por ele? Ainda acho estranho quando uma pessoa se auto-elogia publicamente e não causa risos nos ouvintes. Eu definitivamente não deveria estar ali. Porque é uma violência, entendeu? Uma violência contra mim. Você pode dizer que sou crítica demais, mas não pode negar que eu costumo saber exatamente o que se passa ao meu redor.  E então, o ciúmes me causando náusea. É físico. Achei que não aconteceria novamente, pensei que estivesse curada ou, pelo menos, anestesiada desse mal. Mas que nada! O ciúmes deprecia, inferioriza, me deixa vulnerável. Uma viagem entre amigos, um celular que não é atendido, um passado romântico, a chegada de um ilustre visitante, tudo pode ser o desencadeador. Se passamos muito tempo sem contato, penso que todas as hipóteses e cenas de traição que visualizei estão acontecendo. Não tem mais jeito. Não sirvo pra isso. E eu que achei que tinha nascido pra paixão, hoje só penso que vou acabar morrendo por ela. Então eu desisto. Não vai me levar a lugar nenhum.  A vida sem paixão é mais fácil. Eu fico leve, consigo rir com maior frequência, ver as atrocidades do mundo com mais naturalidade, estudo com maior afinco, me divirto com meus amigos. Sabe aquela história de que quando estamos apaixonados ficamos mais bonitos? Balela! Ao menos não serve para quem é ciumento. Porque nós, os ciumentos, ficamos feios, mal-humorados, preocupados. Um friso eterno na testa. Por termos tanto medo de perder, acabamos por perder de fato. Ou desistir. Eu dispenso a tortura da expectativa, desisto de vez. Por alguns meses, meu funil seletor foi extremamente taxativo: quem me causa muito ciúmes não serve pra mim. Mas então percebi que só quem não me causasse emoção nenhuma serviria.

Então, a solitude.

E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la.

*MTS= Módulo dos Tecidos aos Sistemas (uma das matérias antipáticas e biológicas da minha faculdade)

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